Conforme anunciou o Maskate há mais de vinte anos  o ex-governador do Amazonas, Amazonino Mendes, o glorioso Negão, e o deputado federal Pauderney Avelino (PFL-AM), seu fiel escudeiro de então, que ajudou Samuel Hanan a levar a mala de dinheiro para a Academia de Tênis em Brasília, nos idos de 1997, onde seriam fechados os acordos de compra de votos para a emenda da reeleição de presidente, governadores e prefeitos, estavam na lista dos convocados para depor na CPMI do Mensalão. No início do processo, a ex-senadora Vanessa Grazziottin, quando foi aprovada a investigação parlamentar , naquela época foi peremptória: “Se o assunto é compra de votos não há como não chamar Amazonino Mendes, um especialista no assunto”. Pois muito bem, não há como deixar de relacionar esse episódio com o processo de impeachment encaminhado na Assembleia Legislativa, e com a “CPI da Saúde”, ambos instalados às pressas, mesmo com a casa em funcionamento home office, até então. Alguns atores podem ser trocados, mas os interesses e os beneficiários são praticamente os mesmos.

Joana dos cachorros e hóspede brasiliense

Apesar das manobras parlamentares e jurídicas para que não fosse criada, sobretudo por parlamentares defensores dos animais e das estadias em Brasília, a dupla que inventou a presepada, por absoluta condição de rabo preso na matéria, a Comissão Parlamentar de impeachment foi criada para apurar denúncias das compras e pagamento da saúde no Amazonas, uma grana superfaturada por empresários e servidores inescrupulosos que voltava em forma de “mesada” para os próprios parlamentares aprovarem ou rejeitarem matérias de interesse do Governo, e acusações de compra dos respiradores em lojas de vinhos, por exemplo. Tudo isso nas mãos da PF e do MPF.

Os anjos da pandemia

Com sua voz de locutor de rádio, o presidente da ALE, Josefá Neto, justifica que os parlamentares jamais faltariam com o povo do Amazonas – quando na verdade e na mentira, ele, o próprio Josué Neto, seria o maior beneficiado com o processo. Se tornaria governador apenas com os votos dos deputados, mano! Seria institucionalizar as eleições indiretas. Pode, isso, Arnaldo?

Wilson contra-ataca 

As galinhas já haviam se acomodado no poleiro quando o governador mandou emitir nota afirmando que “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Lima assegura que não vai dançar e que Josué quer apenas “se aparecer”, como diz o caboclo amazonense do interior; “Ele reafirma que a decisão de aceitar o processo foi tomada de forma solitária pelo presidente da Assembleia Legislativa, com o claro interesse de promoção política, tendo em vista as eleições que se aproximam e para com as quais já tornou públicas suas pretensões”. Wilson alega inocência. “O governador considera, ainda, que o pedido não apresenta argumentos ou fatos que apontem para crimes de responsabilidade, não tendo, portanto, qualquer amparo legal. Wilson Lima também reafirma que acredita na democracia e que a decisão da maioria, demonstrada por meio do voto popular, deve ser respeitada.“ Só faltava Wilson enviar nota dizendo que considera o processo justo.

Vice calado 

Carlos Almeida parece ter adotado a estratégia do come quieto. Acusado de ser o governador de fato, ele pode acabar sendo o de direito, já que alguns juristas afirmam que o nome dele não pode sr incluído no processo, por se tratar do natural substituto na ausência do titular, e que em casos de crimes de responsabilidade o nome do vice não pode ser incluído. Será? Por via das dúvidas ele segue comendo um saboroso abiu. Almeida era o secretário de Saúde quando o Governo do Amazonas pagou a bagatela de R$ 736 milhões em dívidas da Saúde de gestões anteriores. Um erro de cálculo ou algo friamente calculado?