O Ministério Público afirma em nota nesta terça-feira que o governador Wilson Lima é chefe de organização montada para roubar o dinheiro público. De acordo com a sub-procuradora geral da República, Lindôra Araújo, Lima coordena um esquema de fraudes que se aproveitou da pandemia para desviar verba pública. É possível “evidenciar que se está diante da atuação de uma verdadeira organização criminosa que, instalada nas estruturas estatais do governo do estado do Amazonas, serve-se da situação de calamidade provocada pela pandemia de covid-19 para obter ganhos financeiros ilícitos, em prejuízo do erário e do atendimento adequado à saúde da população. Os fatos ilícitos investigados têm sido praticados sob o comando e orientação do governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, o qual detém o domínio completo e final não apenas dos atos relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas também de todas as demais ações governamentais relacionadas à questão, no bojo das quais atos ilícitos têm sido praticados”, destaca Lindôra Araújo.

Wilson e Simone estão na mira da Polícia Federal

Investigadores do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal cumprem na manhã desta terça-feira (30) mandados de prisão temporária contra oito pessoas, além de buscas e apreensões em 14 endereços de pessoas ligadas ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). As medidas foram determinadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e incluem o bloqueio de bens no valor R$ 2,976 milhões, de 13 pessoas físicas e jurídicas. Wilson Lima é alvo de buscas e bloqueio de bens na Operação Sangria, deflagrada nesta manhã. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa instalada no governo do Amazonas com o objetivo de desviar recursos públicos destinados a atender as necessidades da pandemia de covid-19.

PRISÕES

Estão presos a secretária Simone Araujo de Oliveira Papaiz, o ex-secretário executivo, João Paulo Marques dos Santos, Perseverando da Trindade Garcia Filho, ex secretário executivo adjunto de saúde, Alcineide Figueiredo Pinheiro, ex gerente de compras da secretaria de saúde, Fábio José Antunes Passos, Cristiano da Silva Cordeiro, Luciane Zuffo Vargas de Andrade, Renata de Cássia Dias Mansur Silva: sócios e representantes das empresas envolvidas na compra dos respiradores superfaturados em uma adega de vinhos. Fábio é o dono da loja de vinhos que prestou depoimento recentemente à CPI da Saúde.

Fábio, dono da loja de vinhos, foi preso.

GOVERNADOR TEM BENS BLOQUEADOS

Apesar de ter o pedido de prisão negado, Wilson Lima teve os bens bloqueados pelo STJ. De acordo com a Polícia Federal e o MPF as provas dos crimes são robustas. Estão sendo apuradas suspeitas da prática de peculato, delitos da lei de licitações, organização criminosa, lavagem de dinheiro, e crimes contra o sistema financeiro. Até o momento o Governo diz que vai esperar o desenrolar dos fatos para apresentar á população seu ponto de vista do que está acontecendo nesta terça-feira.

Ministro Francisco Falcão, autorizou as ações da PF

 

DINHEIRO FOI PARAR NO EXTERIOR

De acordo com a nota da Polícia Federal, o dinheiro desviado não está mais no Brasil. “A investigação policial identificou que a verba pública federal transferida à empresa contratada foi, em seguida, remetida à conta bancária no exterior, pertencente a uma outra pessoa jurídica, aparentemente de fachada, havendo indícios de possível prática de crime de lavagem de dinheiro. No inquérito, constam provas e indícios, revelando o desvio de recursos públicos federais, os quais eram destinados ao sistema hospitalar estadual, em razão da emergência de saúde pública provocada pelo novo coronavírus. O desvio das verbas federais mencionadas ocorreu mediante fraude na contratação de empresa para fornecimento de respiradores. Evidenciou-se o direcionamento da compra para empresa, cuja atividade era/é a comercialização de vinhos. Os ventiladores mecânicos hospitalares entregues ao Estado do Amazonas, pela referida empresa, não possuíam as especificidades técnicas necessárias para a adequada utilização no tratamento médico. Ademais, foi detectado o superfaturamento do preço do equipamento.

Simone Papaiz, titular da Susam, também foi presa.

 

SUPERFATURAMENTO DOS RESPIRADORES 

Em um dos contratos investigados, a PF afirma que foi encontrada suspeita de superfaturamento de, pelo menos, R$ 496 mil. Além disso, apurou-se que os respiradores foram adquiridos por valor superior ao maior preço praticado no país durante a pandemia, com diferença de 133%. No esquema identificado pelo MPF e pela Polícia Federal, o governo do estado comprou, com dispensa de licitação, 28 respiradores de uma importadora de vinhos. O MPF diz que “em uma manobra conhecida como triangulação, uma empresa fornecedora de equipamentos de saúde, que já havia firmado contratos com o governo, vendeu respiradores à adega por R$ 2,480 milhões. No mesmo dia, a importadora de vinhos revendeu os equipamentos para o estado por R$ 2,976 milhões. Após receber valores milionários em sua conta, a adega os repassou integralmente à organização de saúde. Registros encontrados pelos investigadores comprovam a ligação entre agentes públicos e empresários envolvidos na fraude”.

A operação ainda está em andamento.