“Não tenho medo, mas tenho quase certeza absoluta que em algum ponto da história eu vou acabar tendo a doença porque uma parte dos meus colegas teve ou está tendo”. O relato da médica brasileira Mariana Dacoregio, que trabalha na Itália, onde hoje o coronavírus mata mais do que em qualquer outro lugar do mundo, é um pretexto para este texto: enquanto todos nós estamos nos escondendo para não adoecer, médicos, enfermeiros e todos os profissionais de saúde do mundo fazem o caminho contrário, e se atiram nesse abismo onde ninguém sabe quem vai sobreviver. São tantas preocupações com a saúde, com parentes, idosos e com o desastre econômico mundial, que nos esquecemos de bater palmas para eles. Que merecem, e muito esse pequeno sopro de reconhecimento.

 

FAMÍLIA

Mariana é de Santa Catarina e conta nas redes sociais como batalhou para trabalhar na Itália. A foto dela ao lado do pequeno filho Luca nos faz lembrar que esses profissionais também possuem família, amam idosos, e, pior de tudo, adoecem e podem morrer como todos nós podemos. “Como o número de contágios é grande, o número de pacientes que precisa de reanimação também é. Consequentemente é muito superior a capacidade de atendimento de todos os serviços de saúde no mundo. Nenhuma estrutura está preparada para uma doença com uma abrangência tão grande com índice tão alto de mortalidade.”. Mariana sabe, assim como todos os seus colegas, que está em uma trincheira com pouca proteção.

 

LUTO PELO COLEGA CHINÊS

Já lembrado nesse mesmo espaço, o médico chinês Li Wenliang é um símbolo de toda essa saga. Foi ele quem denunciou a existência do vírus na China, mas acabou punido pelos comunistas. Diante da epidemia, acabou morrendo e, só então, reconhecido. No Amazonas, estamos vendo a mesma situação. Profissionais de saúde se preparam para a guerra, sem saber o tamanho do inimigo. Antes de mais nada, gostaríamos de agradecer a todos, sem exceção. Vocês todos são verdadeiros heróis.