Artigo: Dr. Divaldo Martins

 

Nestes tempos de isolamento social, por conta da pandemia do coronavírus, eu andava encafifado com a repentina saída do ministro Sérgio Fernando MORO do Governo.

Ele, que abandonara uma sólida carreira de 22 anos na magistratura federal para assumir o Ministério da Justiça, de repente, qual um menino birrento, disse, “não quero mais.”
Minha experiência na advocacia e na magistratura me dizia que ele não fora sincero nas suas justificativas para deixar abruptamente a equipe de Ministros do Presidente Bolsonaro, muito mais, da forma como o fez, através dos microfones da Tv Globo, atirando lavas de fogo contra o Presidente, como se estivesse a participar de um plano para tira-lo do Poder.

Agora, ao ver o vídeo da reunião ministerial do dia 22.04, por ele apontada como a razão de sua saída do Governo, eu me dei conta de que ele fora leviano, talvez por achar que aquele video jamais viria a publico.
Mas veio!
E ele se deu mal!
Revelou-se um omisso e um traidor!

Ele, sim, não adotara nenhuma providência contra os Governadores e Prefeitos que estavam mandando agredir, algemar e prender pessoas humildes que estavam na rua, contrariando as ordens de isolamento social, traindo a confiança do Presidente, que lhe pedia providências contra tais abusos de autoridade.

Fato concreto é que, de um conceituado juiz federal e de superministro da Justiça, Moro foi reduzido à condição de desempregado, execrado pela opinião pública, sob o estigma da traição.

A TvGlobo e os Governadores Dória e Witzel, que o cooptaram para espionar e trair aquele que o elevou ao “status” de superministro da Justiça e futuro ocupante de uma cadeira do STF, ou até mesmo da Presidência, já lhe dão as costas, num sinal de que brevemente vão deixa-lo na mão, de vez.

Não bastaram os exemplos do Bebbiano e do Mandetta.
Muito menos, MORO lembrou do que dizia, e diz ainda o PT sobre a TvGlobo, chegando a cognomina-la de “TvGolpista.”
Moro, no Governo, só espionava; não seguia as diretrizes do Presidente. Não poderia dar certo.

Fato concreto é que as suas egoísticas pretensões estão escapando-lhe por entre os dedos: nem cargos públicos, nem STF, nem a presidência do Brasil, nem emprego, nem nada.

Digo “nem emprego” porque, no âmbito privado, de certo, nenhuma grande corporação empresarial vai querer contrata-lo como Advogado ou Consultor Juridico, não porque ele não seja competente para exercer tais cargos, mas porque não vão lhe confiar os seus segredos.
Como se sabe, bancos, seguradoras, indústrias químicas, grandes empreiteiras, empresas multinacionais, o alto mundo empresarial, enfim, todos, têm problemas com o fisco, de concorrência desleal, “dumping”, segredos de patentes, recursos em paraísos fiscais, disputas de sócios, espionagem comercial, industrial, etc.; algumas corporações andam na divisa entre o lícito e o ilícito, e, não raro, desviam-se dessa tênue linha, resvalando para o lado contrário à lei (lembram da Odebrecht, da OAS, da JBS?). E, com certeza, não vão querer que ele saiba de seus negócios, de suas vidas; enfim, não vão confiar nele.

De outra banda, o PT e seus puxadinhos não vão “largar o seu pé”, por conta daquelas revelações do site IntercePT, dando conta de que ele, Moro, “trocava figurinhas” com o Órgão da acusação, nos processos da lavajato, acarretando-lhe a perda da necessária isenção que se espera de um juiz, e nulificando as sentenças condenatórias por ele proferidas contra o ex-presidente Lula, e áulicos seus.

MORO, no episódio de sua saída do Ministério da Justiça, revelou-se a criança mais birrenta que um adulto ressentido pode ser.
Esqueceu, ou não chegou a aprender que o homem é senhor do que cala, e escravo do que fala.
Mais: olvidou que, se deixamos de ser amigo de alguém, temos que respeitar os segredos que ele nos confiou. Não por ele, mas por nós mesmos. Isto se chama integridade.
Eu comecei a ter dúvidas sobre o seu grau de humanidade, conteúdo democrático e padrão moral ao perceber a sua fixação por camisas pretas.
A história nos fala disso!
A psicologia explica isso!

Marcus Junius BRUTUS, JUDAS Iscariotes, Joaquim SILVÉRIO DOS REIS, Sérgio Fernando MORO.
Qual a diferença?
Nenhuma!
Todos iguais!
Todos traidores!

Dante Aligheri, no seu poema clássico a “Divina Comédia”, diz que o inferno é dividido em 9 círculos de fogo, sendo o último, o nono, o mais quente, administrado por Lúcifer, reservado aos traidores.
Pode-se dizer, então, com base na ficção, ou na visão espiritualista do vate florentino, que a traição é a mais abjeta das ações humanas .

O traidor tem voz mansa, e olhar disperso.
Falta-lhe sangue e altivez.
O traidor é portador de personalidade enfermiça.
Cícero (Marcus Tulius), escritor, filósofo, cônsul e exímio orador romano, proclamou que “Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruina as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe. Deve-se temê-lo mais que a um assassino.”

O traidor sempre espera, e, não raro, recebe uma recompensa do beneficiário da traição praticada. Mas não fica impune, jamais, pelo menos, perante a sua própria consciência.
Qual um sonâmbulo, passa a vagar sem rumo pelos caminhos tortuosos da insônia, acossado pelo remorso, que outra coisa não é senão o filho bastardo da consciência com o crime.

Que triste sina, a do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Fernando MORO!

Requiescat in pace!